segunda-feira, 14 de março de 2016

O não dizer soa mais que a voz

Há vezes em que o não dizer, a palavra não dita, soa mais do que a voz. As coisas que assim são definidas sem serem de fato,  definidas, têm mais poder e mais voz do que um grito, um canto ou quaisquer "coisas" que possam ser expressadas com a intenção de expressar.
Existe tanta verdade na preocupação de como seria o melhor modo de agir que a não-ação só demonstra a preocupação em expressar o que ae sente da melhor maneira possível, mas quanto mais intenso for o que se sente, menos se consegue dizer. Os sentimentos se confundem e se sobrepõem de modo que nenhuma palavra seja realmente suficiente e justa comparada a algo que sente.
Se eu amo, há tanta coisa dentro do amor, há tantas palavras dentro do "amo" que não se consegue dizer, só sentir,  só o nosso corpo é capaz de dizer sobre sentimentos . Os olhos falam, as expressões de carinho de um sorriso,  de um abraço ou de uma não-reação substituem qualquer palavra que possa ser dita na vã expectativa de se explicar o que não se pode explicar.
Enquanto eu penso sobre o que te dizer, enquanto eu penso sobre o que sinto,  ou sobre o que eu quero que pareça ser, eu perco tanto tempo de simplesmente observar o que é.  O ser ali, vivo, vivendo, sendo a coisa que eu não sei dizer,  me fazendo escrever coisa toda vez que se misturam tantas sensações que eu não sei sentir.
Eu não posso simplesmente passar por cima disso e fingir que essa não é a minha prioridade, não posso disfarçar que há algo além disso que me importe agora. As vozes de fora falam e eu não absorvo. Eu não quero estar ali, eu quero estar aqui onde mora o mistério eterno que é entender o que há de mais honesto em mim, o que fez eu dar cada passo que dei, o que eu sinto.